“Pai, não é só aqui em casa que está com problema, meus colegas também ficaram sem internet e não puderam fazer o trabalho da escola”. “Não puderam fazer o trabalho?”, disse o pai, bronqueando meio de brincadeira. No meu tempo, a gente pesquisava na enciclopédia, ia até a papelaria, comprava um decalque e ilustrava o trabalho no papel almaço!”. Pois é, no nosso tempo copiava-se muito trabalho de enciclopédia... Quem podia imaginar que um dia a expressão “copy/paste” seria de uso corrente por crianças de 8 ou 9 anos? Que computador seria objeto portátil e acessível por uns pirralhos que fazem suas próprias comunidades no Orkut? Naquela época, copiava-se à mão, com atenção e critério ou sem. Quando a cópia vinha em letra bonita demais, a professora estrilava: “Não tem mão-de-gato aí não?”. Eu lembro também de trabalhos apresentados na forma de lindos cartazes em cartolina, às vezes feitos assumidamente a quatro mãos: “Minha mãe me ajudou”. A minha também se prontificava a ajudar aqui e ali, mas a gente acabava discutindo tanto – eu era crica, não gostava muito de ajuda -- que no meio do trabalho ela perdia a paciência: “Então faz sozinha!”. Fazia sozinha, com muita atenção, muita criatividade e muito pouco jeito com as mãos. Meus trabalhos às vezes eram do tipo que “parece que a aluna almoçou e jantou em cima”, como dizia a incrivelmente elétrica D. Terezinha, ou D. Zinha, a professora de Artes. Com a mão suja de cola, eu acaba sujando o papel; desajeitada, entortava as beiradas e passava a mão suada pelas letras, borrando metade. (Vai tentar apagar o borrão – piora muito). Cartolina, decalques, papel almaço... Das enciclopédias não tenho saudade, sou devota do santo Google, mas de fazer sujeira com cola e canetinha (como a gente gostava de usar hidrocor Silvapen!) eu tenho muita.